Consumo de energia no mercado livre cai 0,61% em abril

Veículo: Monitor Mercantil - Conjuntura

06/06/2016

O Índice Comerc Energia, apurado mensalmente pela Comerc Energia, revelou queda de 0,61% no consumo de energia elétrica pelas unidades de sua base de clientes em abril de 2016 em comparação com o mês anterior. A empresa é líder no Mercado Livre de Energia, sendo responsável pela gestão de 15% do seu consumo no país.


A tendência de retração reflete o cenário de fraco desempenho da economia do País. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, caiu 2,7 pontos em relação a março, atingindo o menor nível da série histórica do estudo desde 2005, segundo o instituto. Esse também é o sentimento das pequenas e médias empresas, que caracterizam parte do grupo de consumidores especiais do mercado livre. A confiança dos empresários de pequeno e médio porte para os próximos meses teve queda de 0,7% segundo o Índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios no Brasil (IC-PMN), preparado pelo Insper.

No comparativo anual, o Índice Comerc Energia também registrou queda, de 1,22% no mês em relação a abril 2015. Os números acompanham as tendências apontadas por outros indicadores do mercado de energia. Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o consumo no mercado livre inteiro teve um recuo de 0,03% em abril, quando comparado ao mesmo período de 2015 nos dados sem efeito da sazonalidade, ou seja, desconsiderando o atual boom de migração de clientes especiais para o mercado livre.

Em abril, apenas três setores tiveram alta no consumo de energia em relação a março, sendo a maior delas no segmento de Manufaturados, com 2,27%. A maior queda, de -9,32%, foi registrada no setor de Material de Construção. Estudo daAssociação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) revela que as vendas de materiais deconstrução no Brasil caíram 10,5% em abril, na comparação anual, e recuaram 1,2% sobre março, motivadas pela crise econômica.

Na comparação do consumo de abril deste ano com o mesmo mês em 2015, fica ainda mais claro o desaquecimento da economia, principalmente no setor de construção. No período, a média de alta girou em torno de 3% para três segmentos: papel e celulose (+3,90%), comércio e varejista (3,93%) e alimentos (3,78%). O resultado é confirmado pela CCEE, que aponta comércio, bebidas e alimentos como os setores que mais consumiram. Os demais segmentos consumiram menos energia, sendo que a principal variação negativa foi vista novamente em maior escala no setor de materiais deconstrução (-21,15%), seguido de manufaturados (-12,68%) e eletromecânica (-10,96%).

Má gestão do setor faz consumidor pagar maior custo até 2020

Atualmente em pauta, o Governo Federal, por intermédio do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), discute uma possível modificação no acionamento das termelétricas, que pode resultar em custos de energia mais amenos aos consumidores. A medida, no entanto, é uma alternativa que visa reparar uma série de erros na gestão do setor energético desde setembro de 2012, período pré-eleitoral no Brasil, com a edição da Medida Provisória 579.

No período, sinalizou-se aos consumidores a possibilidade de diminuição de cerca de 20% nos gastos com energia, que incentivou fortemente o consumo nas residências, indústrias e comércios. De acordo com a avaliação da Tradener, comercializadora de energia, no mercado livre, a sinalização dada ao mercado foi equivocada, pois o período demandava atenção e economia por parte dos consumidores para a preparação a um possível racionamento.

Com o aumento expressivo da demanda por energia, houve o acionamento de térmicas caras a fim de suportar a energia demandada e evitar o período de racionamento.

– O prolongado despacho fora da ordem de mérito econômico com um sinal econômico de preços errado trouxe enorme prejuízo a todos os consumidores de energia, que tiveram que pagar (e ainda estão pagando) incalculáveis encargos à título de segurança energética. Realmente não tivemos racionamento, mas a um custo infinitamente maior, que está atualmente sufocando as empresas que conseguem sobreviver aos caos econômico do país – explica Walfrido Avila, presidente da Tradener.

De acordo com o executivo é fundamental que qualquer despacho dentro ou fora do mérito econômico componha o preço spot (PLD) a fim de sinalizar economicamente o preço ao mercado de energia.

– E foi o que não ocorreu durante estes anos. Estamos tendo, por exemplo, despachos de R$ 150/MWh com o preços da ordem mínima de R$ 70/MWh, mais de 100% superior. Também já tivemos térmicas acima de R$ 1.000/MWh sendo despachadas enquanto os PLD’s eram bem baixos. São medidas que causaram enormes distorções durante muitos anos e uma conta gorda para os consumidores pagarem até 2020 – comenta.

Para as próximas movimentações do mercado são esperadas, dentre muitas outras, modificações nas formas de precificação dos custos de energia – tema incluso no Projeto de Lei 1.917 de portabilidade na conta de luz, já que, atualmente, a sistemática com base no custo marginal de operação não tem sido cumprida, causando altos custos aos consumidores livres e cativos.