Construção civil avança em industrialização, digitalização e qualidade em agenda estratégica na FEICON

ABRAMAT reúne indústria, governo e varejo em debates sobre produtividade, capacitação e desafios de conformidade no setor

A construção civil brasileira avança na adoção de modelos mais industrializados e digitais, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios relacionados à qualidade e à competitividade no mercado. Esses temas marcaram a participação da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT) no primeiro dia da FEICON 2026, com uma agenda que reuniu indústria, governo, academia e varejo em torno das principais transformações do setor.

O principal destaque da programação foi o seminário sobre o Projeto Construa Brasil, iniciativa coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que vem estruturando a modernização da construção civil com foco em desburocratização, digitalização e industrialização. Colaboradora ativa do projeto, a ABRAMAT sediou o encontro e reforçou seu papel na articulação da indústria em torno dessa agenda.

Durante o seminário, a coordenadora-geral de Desenvolvimento da Indústria da Construção Civil do MDIC, Thaise Dutra, destacou a evolução da iniciativa e seu impacto direto na produtividade e no ambiente de negócios do setor. “O Construa Brasil foi desenvolvido para aumentar a competitividade do setor e gerar impacto direto na produtividade, trazendo uma nova perspectiva e promovendo a transformação digital da construção civil”, afirmou.

Um dos marcos apresentados foi o lançamento do primeiro curso EAD sobre construção industrializada, desenvolvido no âmbito do projeto e disponibilizado gratuitamente pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Para o professor Paulo Fonseca de Campos (FAU/USP), responsável pelo conteúdo, a iniciativa representa um avanço na disseminação da construção industrializada no país.

“A capacitação é parte de uma estratégia de estímulo ao setor ao apresentar uma visão geral da construção industrializada e sua relevância no contexto atual da construção civil. Com isso, instrumentalizar o setor púbico, privado e acadêmico sobre essa alternativa tecnológica”.

Ainda no campo da capacitação e da digitalização, foram apresentados os avanços das células BIM, voltadas à atualização curricular de cursos de engenharia e arquitetura em universidades públicas. A proposta conecta ensino, tecnologia e prática profissional, alinhando a formação acadêmica às demandas da construção digital.

Para o engenheiro civil Paulo Muller, gerente do Projeto Construa Brasil pela RECEPETi, “as células BIM estruturam uma nova lógica de formação, conectada às demandas da construção digital. É um movimento que integra tecnologia, ensino e prática, preparando profissionais para uma nova realidade do setor”.

Qualidade e integração marcam evento com o varejo

A agenda também trouxe para o centro do debate um tema sensível para o setor: a qualidade dos materiais de construção e os desafios relacionados à não conformidade, especialmente em canais como marketplaces. No seminário “Competitividade no Varejo da Construção: desafios e propostas”, realizado em conjunto com o Sistema Anamaco, representantes da indústria e do varejo discutiram a necessidade de fortalecer mecanismos de controle, ampliar a transparência e combater práticas que comprometem a competitividade.

Durante o encontro, foi apresentado o pré-lançamento de um aplicativo voltado à consulta de conformidade, iniciativa que busca facilitar o acesso à informação e apoiar decisões mais seguras ao longo da cadeia. Também foram debatidos temas como os impactos do programa Reforma Casa Brasil e da Reforma Tributária sobre o setor.

Segundo o presidente executivo da ABRAMAT, Paulo Engler, a indústria brasileira já atingiu um elevado padrão técnico, mas ainda enfrenta desafios na comunicação desse valor e na garantia da conformidade ao longo de toda a cadeia.

“A indústria brasileira já alcançou um alto nível de qualidade, mas é fundamental ampliar a comunicação desse valor ao consumidor e fortalecer mecanismos que garantam a conformidade dos produtos ao longo de toda a cadeia”, afirmou.

A participação da ABRAMAT na abertura oficial da FEICON reforçou o posicionamento da entidade como uma das principais representantes da indústria de materiais de construção no país. Na ocasião, Engler destacou o papel estratégico da integração entre indústria, varejo e academia para o avanço da produtividade e da qualidade no setor.

“A indústria de materiais e o varejo têm papel central no desenvolvimento do país. Precisamos nos unir – indústria, varejo e academia – para avançar em produtividade e entregar produtos de qualidade para fortalecer nosso setor. A Feicon será uma ótima oportunidade para conhecer mais a fundo a importância da conformidade técnica para o controle de qualidade dos materiais de construção.”, destacou Engler.

Ao longo da programação, a entidade evidenciou que temas como industrialização, digitalização, qualidade e ambiente regulatório deixaram de ser tendências e passaram a ocupar posição central nas decisões estratégicas da construção civil, indicando os caminhos para o desenvolvimento do setor no Brasil.

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