Reforma tributária deve aliviar fluxo de caixa da indústria de materiais de construção

Reforma tributária deve aliviar fluxo de caixa da indústria de materiais de construção Mudança no modelo de cobrança do ICMS tende a reduzir distorções tributárias e reorganizar dinâmica competitiva do setor. São Paulo, 12 de maio de 2026 – A reforma tributária deve provocar uma mudança relevante na dinâmica financeira da indústria de materiais de construção ao extinguir a substituição tributária do ICMS, sistema que hoje antecipa o recolhimento do imposto ao longo da cadeia produtiva. Para a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT), a mudança tende a aliviar o fluxo de caixa das empresas, reduzir distorções tributárias históricas e tornar o ambiente concorrencial mais equilibrado. Prevista na Emenda Constitucional 132/2023, a reforma substituirá gradualmente tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS pelo modelo do IVA Dual – composto pela CBS federal e pelo IBS subnacional – em uma transição prevista entre 2026 e 2033. Na prática, a indústria deixará de antecipar o recolhimento do ICMS sobre operações futuras com base em valores presumidos. O imposto passará a ser calculado conforme a operação efetivamente realizada, alterando uma lógica que impacta diretamente o caixa das empresas e a dinâmica financeira do setor. “O fim da substituição tributária certamente irá influir positivamente no fluxo de caixa da indústria e do varejo. A tributação deixa de ser antecipada e passa a ser calculada e recolhida após a ocorrência do fato gerador”, afirma Paulo Engler, presidente executivo da ABRAMAT. Segundo a entidade, o novo modelo também tende a reduzir distorções provocadas pelas diferenças regionais de margens e pela cobrança baseada em estimativas. “As diferenças regionais de valores das mercadorias dentro do sistema da substituição tributária acabam desconsideradas. O retorno ao sistema periódico permite o pagamento do ICMS efetivamente realizado e contido na nota fiscal, sem ficções e sem presunções”, destaca Engler. Na avaliação da ABRAMAT, a mudança deve favorecer empresas mais eficientes e reduzir práticas associadas à informalidade e à evasão fiscal, ao criar um ambiente concorrencial mais equilibrado. “A partir da reforma tributária, a concorrência empresarial será mais justa. Quem for eficiente e cumprir estritamente a legislação tende a prosperar nesse novo ambiente”, afirma o executivo. A entidade avalia que a indústria de materiais de construção já iniciou um processo de adaptação para o novo cenário tributário, especialmente na revisão de sistemas operacionais, fluxos de processamento e estrutura de dados. “A indústria está ajustando sistemas de processamento de dados, revisando fluxos operacionais e acompanhando os programas pilotos da Receita Federal. Quem estiver preparado sairá na frente”, diz Engler. Para a associação, a reforma também pode contribuir para acelerar a modernização da cadeia da construção civil ao favorecer modelos produtivos mais eficientes e maior racionalidade operacional. “O novo ambiente tributário brasileiro deve reduzir significativamente distorções e melhorar o ambiente de negócios. Isso tende a favorecer empresas mais produtivas, eficientes e preparadas para competir em um cenário mais equilibrado”, conclui Engler.

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